10 de fevereiro de 2008

 

Não entendi Samuel Celestino neste domingo

O jornalista Samuel Celestino, comentarista político prestigiado na Bahia e com coluna diária no jornal A Tarde, escreve neste domingo (10/02) sobre o que considera mais um "megaescândalo”, o uso dos cartões corporativos. Em certa altura do seu texto, cita de que as informações sobre compras e saques feitos pelos portadores chegaram até à imprensa através do Portal da Transparência, segundo ele “ironicamente criado pelo governo Lula”.

Este blogueiro (Everaldo de Jesus) ficou sem entender o “ironicamente” do experiente jornalista. O Portal da Transparência é sem dúvida uma das ferramentas mais poderosas criada por este governo para permitir o controle da sociedade sobre todos os gastos públicos federais. E não acredito que tenha sido criado por “ironia” do governo Lula. O Portal publica todos os repasses federais para as prefeituras do Brasil inteiro e através dele é possível desmentir qualquer prefeito que alegue não ter recebido verbas do FUDEB, FPM ou qualquer outra verba pública.

O mesmo Portal relaciona todos os beneficiários dos programas sociais e é um instrumento essencial para impedir os espertalhões de se cadastrarem para receber as bolsas que deveriam chegar somente aos mais carentes.

Creio que o jornalista baiano pensou naquela velha máxima de que “o feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Não vejo motivo para arrependimento do governo Lula neste sentido. Pelo contrário, o mesmo Portal deveria também liberar para consulta todos os gastos efetuados pelo governo anterior. Quem sabe aí a terra tremeria de fato e o blá blá blá e nhen nhen nhen da imprensa/partido se calasse de vez.

Fernando Henrique torrou o triplo através dos cartões, conforme levantamentos já apontados por outros jornalistas em seus blogs, o ConversaAfiada de Paulo Henrique Amorim e o Blog do Luis Carlos Azenha, por exemplo. Azenha inclusive tem um furo de reportagem espetacular: o ex-presidente se auto-concedeu o direito de continuar se valendo dos cartões federais para custear suas despesas pessoais, mesmo não sendo mais presidente. Azenha "pegou" o motorista de FHC enchendo o tanque do mesmo veículo quatro vezes, no mesmo posto e no mesmo dia!

Aliás, não vi Samuel Celestino comentar no mesmo artigo a respeito dos gastos comparativos entre os governos FHC e Lula através dos cartões corporativos. Nem mencionar que o governo paulista de José Serra tem só ele o dobro de gastos em relação ao governo federal, mais de R$ 108 milhões. Paulo Henrique Amorim revela que em torno de 40% desses gastos foram feitos em dinheiro vivo, o que impede a verificação da utilização desses recursos. Um “megaescândalo” do governador tucano que deveria também ser investigado por CPI?

Samuel Celestino é um jornalista que merece crédito. Não penso que ele seja mais um comentarista/cabo eleitoral tucano, que tenta através da imprensa criar outra “bolha” contra o governo do PT e assim mantê-lo nas cordas até as próximas eleições. A febre amarela não virou epidemia. O apagão elétrico deu em água. O “megaescândalo” dos cartões corporativos é a bola da vez. Creio porém que o comentarista de deve analisar que não é “irônico” que o próprio governo alimente seus opositores de informações. Isso é Transparência.

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