12 de agosto de 2006

 

Na Bahia Lula diz que foi achincalhado por deputados

Em visita à Bahia - maior colégio eleitoral do Nordeste e estado que concentra o maior número de beneficiados do Bolsa Família (1,2 milhão de um total de 11,1 milhões de famílias em todo o País) - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, acusou os parlamentares de se aproveitarem do benefício da imunidade para achincalhá-lo. "A coisa é tão absurda que um deputado ou senador pode achincalhar o presidente da República, como vocês sabem que eu fui achincalhado, e eu não posso abrir processo porque eles têm imunidade", afirmou. "Imunidade é para proteger a classe política do arbítrio. Não é para poder proteger a safadeza", prosseguiu.

Em discurso no encerramento de encontro suprapartidário de prefeitos, o primeiro compromisso do dia em Salvador, Lula também pôs em dúvida a legitimidade do Congresso para fazer a reforma política. "Eu tenho dúvida se o Congresso Nacional fará uma reforma política de verdade. Eu tenho dúvida porque eles estarão legislando em causa própria. Poderão fazer muito arremedo em benefício deles próprios", disse, em fala improvisada.

Ao longo de pouco mais de 30 minutos em que discursou no evento que reuniu 42 prefeitos, 12 vice-prefeitos e representantes de 15 partidos, inclusive o PFL, que nacionalmente apóia a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), Lula insistiu que o povo é quem deveria decidir qual o melhor sistema político para o País. "Por que o mandato de senador é melhor de 8 e não de 4 anos? Não sei se é bom ou ruim."

LULA FICA DE FORA DOS DEBATES

Mais uma vez, o presidente voltou a falar da crise política que atingiu seu governo e que tem pautado o discurso de seus adversários na campanha. Lula repetiu que a crise "não é de um partido ou de uma pessoa", mas sim da estrutura política "que é assim há muitos e muitos anos". Ao falar de denúncias de irregularidades em prefeituras, Lula disse que quando tem conhecimento de erros nas administrações encaminha as denúncias ao Ministério Público, e não para a imprensa. "Se tem coisa grave não denuncia na imprensa, manda para o Ministério Público sem tentar fazer Carnaval porque não era esse o objetivo do programa."

Em seguida, em entrevista, Lula confirmou que não vai participar de debates eleitorais no primeiro turno, incluindo o desta segunda-feira, na TV Bandeirantes. A justificativa para a ausência, segundo ele, é preservar a instituição da Presidência da República.
Depois do encontro, o presidente-candidato se reuniu com lideranças do movimento negro e discursou em um trio elétrico na região central de Salvador. Ana Paula Scinocca, Estado de S. Paulo enviada especial - 12 de agosto de 2006 - 13:54

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